Marx entendeu Jesus? A teologia e ética de Karl Marx

Marx entendeu Jesus? A teologia e ética de Karl Marx

Introdução

Karl Marx é um ateu “moderno” (1818-1833) de grande influência. Filho de Alemães de origem judaica que se converteram ao luteranismo quando Marx tinha 6 anos. Foi aluno de G. W. F. Hegel (1770-1831), de quem recebeu forte influência. Aderiu ao ateísmo de seu colega Ludwig Feuerbach (1804-1872).

Após ações políticas radicais, que resultaram em sua expulsão da França (1845), juntou-se a Friedrich Engels para produzir O Manifesto comunista (1848). Engel o apoiou economicamente, permitindo que Marx passasse vários anos pesquisando no Museu Britânico, para produzir O capital (1867).

 

Teologia.

Desde os tempos de universitário, Marx já era um ateu militante. O jovem radical Feuerbach, que influenciou Marx acima de qualquer outro filósofo hegeliano, fundamentou a crítica de Marx sobre a religião, onde ele afirma que “a crítica da religião é a base de toda a crítica”. Com sua obra “A essência do cristianismo”, Feuerbach pulverizou a religião e entronizou o materialismo em Marx.

De Feuerbach, Marx extraiu esses três princípios a seguir:

 

  1. “O homem é a essência mais elevada para 0 homem”.
  2. “O homem faz a religião; a religião não faz 0 homem”.
  3. A religião é “a reflexão fantástica na mente humana sobre as torças externas que controlam seu cotidiano, a reflexão na qual as torças terrestres assumem a forma de forças sobrenaturais”

O ateísmo de Marx ultrapassou os horizontes de Feuerbach. Ele queria que seu ateísmo fosse um artigo compulsório de fé e deseja proibir a religião completamente. Ele rejeitava até mesmo o agnosticismo. O materialismo marxista levou ao seu famoso slogan, “a religião é o ópio do povo”.

Marx acreditava fortemente que a religião cometeria suicídio quando o socialismo fosse adotado.  Como a religião é reflexo do mundo real, não desaparecerá até “as relações práticas do cotidiano oferecerem ao homem nada menos que relações perfeitamente inteligíveis e razoáveis em relação a seus semelhantes e à natureza”. A utopia comunista deveria ser concretizada antes do término da religião.

 

Ética.

Dentro da esfera da ética marxista, três dimensões dela são: relativismo; utilitarismo e coletivismo.

O relativismo assassina qualquer absoluto. Como corretamente expressou Nietzsche, “quando Deus morre, todo valor absoluto morre com ele”. O relativismo é intrínseco ao marxismo, um corolário de seu axioma ateísta. Existe, pelo menos, dois motivos para isso. Primeiro porque não há âmbito externo e eterno. O processo mundial dialético, ao se desenrolar, se torna o único absoluto. Como expressa Engels:

 

Rejeitamos, portanto, toda tentativa de impor a nós mes- mos qualquer dogma moral como lei eterna, suprema e imutável sob 0 pretexto de que 0 mundo moral tem seus princípios permanentes, que transcendem a história (v. Hunt, p. 87-8).

 

Segundo porque não existe uma essência que fundamente os princípios da conduta humana. Noções de bem e mal são definidas pela estrutura socioeconômica. A ética é produzida pela própria luta entre as classes.

O utilitarismo prega que o padrão de moralidade é sua contribuição para a construção de uma sociedade comunista. A causa suprema do comunismo se torna o norte absoluto, e tudo que a promove é bom e tudo o que a contraria é mal. Lenin definiu moralidade como tudo aquilo que destrua o capitalismo, unindo os trabalhadores na criação da nova comunidade socialista. Portanto, os fins justificam os meios. Esse ponto é rejeitado por alguns neomarxistas, que proclamam que os meios estão submetidos ao mesmo padrão moral que o fim (entretanto, esses já abandonaram o marxismo ortodoxo).

O coletivismo significa que, na ética marxista, o universal está acima do individual. Para Marx, a totalidade ética maior é a liberdade universal da vontade, e essa liberdade não é individualista, mas sim universal e coletiva.

Na utopia da sociedade perfeita, a moral privada é expurgada, alcançando os ideais éticos da comunidade.

 

Uma análise.

Toda cosmovisão que se torna impraticável invalidasse a si mesma. O relativismo ético flui natural e inevitavelmente de um ateísmo “consistente”. O relativismo é autodestrutivo, pois a negação absoluta dos absolutos corta os próprios pulsos, substituindo um absoluto por outro. A sociedade socialista não descartou o absolutismo. E as falácias da ética de “o fim justifica os meios” são infames.

O marxismo apresenta um “idealismo admirável de objetivos” (utopia), mas demonstra um registro miserável de realizações. O inferno esteve próximo dos países marxistas, enquanto o paraíso fugiu sem pensar duas vezes. Os meios para se alcançar uma sociedade perfeita deixou um rastro massivo de destruição sem precedentes na história.

Na cosmovisão cristã, a sociedade é transformada pela regeneração e não pela revolução. A verdadeira liberdade não é o nascimento de um novo governo, mas o novo nascimento interior de um indivíduo.

Concluo respondendo a pergunta do título, Marx entendeu Jesus? Absolutamente não. Marx foi guiado pelo seu próprio coração “fabricador de ídolos”, e não pelos ensinamentos de Cristo. Qualquer teologia que esteja fundamentada/influenciada pelo marxismo está longe de ser uma teologia cristã, e qualquer um que diga que Marx “bebeu” de Jesus, ou não entendeu Marx, ou não entendeu Jesus, ou ambos.

 

Bibliografia

  1. Ν. C. Hunt, The theory and practice of communism.
  2. Lyon, Karl Marx: a Christian assessment of his life e thought.

Norman Geisler,  Enciclopédia de apologética cristã

  1. Marx, O capital.

___, Marx and Engels on religion.

___, Selected writings in sociology and social philosophy.

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