Simão o mágico e a religião corrupta.

 

Simão o mágico aparece em cena somente em Atos 8 (e em mais nenhum lugar do Novo Testamento).
Após a morte do diácono Estevão, o protomártir da igreja (At 7), houve uma grande perseguição contra a igreja em Jerusalém (8.1). Os cristão perseguidos se dispersaram, mas ao contrário do que vemos no Antigo Testamento, onde a dispersão/exílio era um sinal de Julgamento Divino contra seu povo pecador, agora na nova era escatológica inaugurada pela obra redentora de Cristo e pela descida do Seu Espírito, tal dispersão é uma benção, um meio de Deus cumprir Seus propósitos redentores por meio da pregação da palavra até os confins da terra (cumprindo as palavras de Jesus em At 1.8).

É exatamente o que acontece, a palavra de Deus cresce e chega em Samaria. Outro diácono, Filipe, prega bela e poderosamente sua mensagem Cristocêntrica, e muitos samaritanos creram genuinamente. A alegria invade a cidade como efeito intrínseco das boas novas de salvação.

Mas onde quer que o evangelho seja pregado, lá está também o diabo e suas hostes prontos para o combate. Onde o Espírito Santo operar salvíficamente, lá estará o inimigo de Deus para falsificar e imitar Sua obra.

Esse é o caso de Simão o Mágico, que ao ficar vislumbrado com o que Filipe fazia, aparentemente crê em Jesus. Entretanto, temos todas as evidências para saber que foi uma falsa conversão, que encontra paralelo em João2. 23-25: “E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem”. Dois teólogos importantes do segundo século falam sobre Simão, ambos em termos totalmente negativos. Justino Mártir (um samaritano), descreve-o como um mágico possuído por demônios, posteriormente honrado em Roma como um deus (Apol.1.26; Tripho 120.6). Irineu em Contra heresias 1.23 descreve-o como o fundador da seita dos simonianos de onde toda a sorte de heresias gnósticas teve sua origem.

Irei demonstrar, a partir do (mau) exemplo de Simão, as características de uma religião corrompida, que nada tem a ver com a genuína fé cristã.

 

Características de uma religião corrompida

 

  1. Interesse em ganhar dinheiro. Simão ao ver o que operava os apóstolos ofereceu-lhes dinheiro para ter o mesmo (8. 18-19). Talvez queria se aparecer, ou retomar sua influência perdida sobre aquelas pessoas, ou lucrar com a concessão do Espírito a outros, não sabemos. Entretanto, Pedro o repreende severamente: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro” (8.20). Paulo atesta em 1Timóteo 6. 9-10: “Os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.
  2. Barganha com Deus. Diretamente da marca anterior, está a barganha com Deus. Em sua repreensão, Pedro usa a palavra “dom” (δωρεὰν) em nítido contraste com a disposição de Simão em pagar por aquilo. Não se pode barganhar com Deus, assim como não se pode acrescentar nada ao que é infinito, assim como não se pode acrescentar segundos a eternidade.

 

  1. Engrandecimento da liderança. É provável que Simão queria fazer parte da liderança do que ele via ser um movimento novo e promissor. Essa disposição é apenas uma das milhares de facetas do orgulho. Como o missionário Paul Washer sempre diz, não existe grandes homens de Deus, apenas homens pequenos e fracos de um Deus grande. A exaltação ponderada (não estou falando de reconhecimento legítimo) de líderes religiosos é uma abominação para Deus, pois Ele resiste aos soberbos (Tg4.6). Uma evidência gritante que uma igreja está corrompida é quando vemos a imagem de seus líderes na fachada.

 

A origem da corrupção.

A origem dessa corrupção é o coração, que é a fonte de todos os males (Mt 15.19). Principalmente, o pecado da idolatria. Pedro declara que o coração de Simão não era reto diante de Deus, e que ele está em fel de amargura e laço de iniquidade. No antigo Testamento, essas características eram resultado da idolatria na vida de quem a pratica.

Conclusão.

É inevitável olharmos para o caso de Simão e não compararmos com o estado do evangelicalismo brasileiro. O conhecimento de Deus fugiu dos púlpitos, e só o que restou foi um altar ao Deus desconhecido. Mesmo que a linguagem seja cristã (Deus, Jesus, Espírito, fé, etc) o conteúdo é diferente, é uma forma sutil e mortífera de idolatria. Interesse em ganhar dinheiro, Barganhas e líderes se engrandecendo cada vez mais são evidencias mais que suficientes para concluirmos que o evangelicalismo é uma forma corrompida de cristianismo.

O único remédio é o que Pedro disse a Simão: “Arrepende-te, pois, dessa tua iniqüidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração” (8.22). Arrependimento genuíno e bíblico é nossa única esperança.

 

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